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sábado, 27 de junho de 2020

Trovas Especiais: Rimas Em Consoantes / Antonio Cabral Filho/Rj

TROVAS ESPEPCIAIS: RIMAS EM CONSOANTES


-suplementoliterariominasgerais-


Se observarmos atentamente, em qualquer meandro da vida, profissional, artístico, mental, tudo que pára, morre. Por isso, eu vejo como necessário se revolucionar o tempo todo. Experimentar, seria a palavra correta.

As artes são o melhor exemplo disso. Estão aí as vanguardas estéticas para assegurarem o que digo. Na ciência então,  nem se diga. Sem experimentação, nada avança. E por que a trova deveria ser diferente? Os Trovadores, inclusive, são exemplo disso. É preciso ressaltar que a TROVA que conhecemos hodiernamente vem do ROMANCE, composição poética longa, feita para apresentação nas cortes européias. Daí, vem a quadra e desta, nasceu a trova com versos setessilábicos, sentido completo e rimas em aabb, abba e abab.

Mas pára aí? Por quê? Particularmente, entendo eu que tudo merece progresso e a trova também. Em relação aos sistemas de rimas muito já se especulou e a melhor solução aí jáz. Mas e em relação à sílaba tônica? Quem convencionou que só podemos rimar a partir da vogal? Pelo pouco que entendo de fonética, a consoante é o fator determinante do som. Todas as palavras da língua portuguesa são pronunciadas sob o comando das consoantes e as vogais são apenas auxiliares, nada mais.

Dito isso, considero justificada a minha defesa da RIMA CONSOANTE. Outrossim, quero registrar que não estou inventando nada nem distorcendo o patrimônio dos “descobridores da pólvora”, pois o que estou fazendo consiste apenas em ressaltar um aspecto subjacente à composição poética denominada trova. Só isso. Os trovadores sempre praticaram esse tipo de rima; apenas não lhe deram a devida importância. Mas resta uma questão: saber até que ponto praticavam esses valores estéticos conscientemente.

Reuni a baixo uma seleta, onde encontrei trovas com um par e outros contendo os dois pares de rimas. Seria por acaso?

Qualquer hábito comprova

E tem a vênia da toga,

Deixar que façam da trova

Fórum onde vogal voga.

&

Que minha saudade embasa,

É razão pra ir embora.

Ou eu vou perder o basa

E meu vôo pra Bora-bora.

&

Já vi muito falso nobre

Cair do salto por pouco,

E revelar-se um inobre

Só por ouvir um pipoco.

&

Não faço idéia do quanto

Me faz sofrer a desdita,

Mas sei muito bem do pranto

E das ordens que me dita.

Antonio Cabral Filho/RJ

*

Foi feito assim nosso lance,

aconchego em demasia

no ouvido um relance:

A madrugada está fria!

Lucy Almeida AL

*

Dando -lhe um gelo de cão...

pela minha intemperança...

causei grande furacão,

fogão de lenha a lembrança.

Luzimagda/M G

*

Dando-lhe um gelo do cão

Não aguentei a cobrança

Fiz meu cuscuz de flocão

Fogão de lenha...a lembrança

Beth Iacomini MG

*

Da mulher que eu amo tanto

o seu fogo é de vulcão,

eu fico igualmente um santo

lhe dando um gelo do cão.

José Nilton - PE

*

Os sonhos da mocidade

Guardo-os todinhos, meu bem...

- Hei de mostrar à saudade

Quanto vale um querer bem!

Venina Jotha

*

A julgar pelas lições

Que o mundo vive a nos dar,

Verbo algum tem variações

Como as tem o verbo amar.

Nicolino Limongi

*

Desta saudade infinita

Não guardo mágoas, porque

Foi a coisa mais bonita

Que me ficou de você.

&

Ver-te em sonhos me complica.

Não quero ver-te, meu bem!

- O sonho apenas duplica

A saudade que se tem.

Aparício Fernandes

*

Não quero falar contigo

- Eu juro a todo momento!

Mas, quando falas comigo,

Esqueço o meu juramento...

Clênio Borges

*

Eu te amo e ainda perguntas

Se há jura em minhas respostas...

Não vês que nossas mãos juntas

Valem mais do que mão postas?!

Antonio Carlos Teixeira Pinto

*

Dentro da trama indizível

Das mais ternas emoções,

O amor é o fio invisível

Que entrelaça os corações.

Raymundo Travassos Alvim

*

Pra não separar , jamais,

eu me aqueço entre seus braços.

O nosso amor e " demais"...

Tão fortes são nossos laços!

Silvia M Svereda/PR

*

Saudades, meu amorzinho

Tempos que não voltam mais

Te enrolava o meu pezinho

Pra não separar jamais.

Lina – MG

*

Cheirinho de bom tempero,

suave qual do jasmim,

é teu zelo, é teu esmero

aquecendo o amor em mim

Ariete Regina - RJ

*

Vai botar mais um na lista,

infectado por corona;

quer ficar sempre na pista

e o vírus pega carona.

Zilnete Moraes – RJ

*

Contida na brevidade,

Mal ela nasce... termina;

E não há jeito, é verdade:

Curta é, mas se dissemina!

&

Curta é, mas se dissemina

A trova nos sete versos,

Aos poetas rica mina

Dos dotes os mais diversos!

Oliveira Caruso - RJ

*

*Um abraço apertar*

Você de encontro ao meu peito

Minha amizade te dar

Com carinho e com respeito.

Alba Valéria-GO

***

Bom, diante do conjunto de exemplos acima, creio ter reunido o suficiente para quem queira exercitar essa modalidade de rima, a rima CONSOANTE.

 Antonio Cabral Filho/Rj

27/06/2020

***

quinta-feira, 5 de março de 2015

TROVAS EM DEBATE: DITONGOS E HIATOS, Por A. A. de Assis - PR * Antonio Cabral Filho - RJ

(foto do autor)
A.A. de Assis
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Antes, quero pedir desculpas ao Autor: Antonio Augusto de Assis. Mas uma polêmica dessa envergadura não pode ficar sendo repassada de amigo a amigo. Ela tem que ser levada  a público. Ele, que é um grande autor no mundo da trova, já foi vítima do "entendimento" de jurados em concursos. Imaginem os autores sem a destreza dele? Eu, cá do cantinha da minha humildade, fui acusado de "cochilar", "comer moscas", por causa de um encontro vocal do tipo abordado acima.
Com o devido respeito que A.A. de Assis merece, eu tomo a iniciativa de tornar pública essa polêmica.
Antonio Cabral Filho
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TROVA EM DEBATE PROSSEGUE........


Posted: 22 Nov 2013 02:41 PM PST
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiigap01Wks_HT8kOvlUppwA78CuwFgKenoiVGQddKGszdVpuVIx0fjGvr3VaL2QVU0GyZr7pDyn8tnFIM7I044ID0WC_km2no6HvWhyphenhyphen7RDPuQ2S65OD_mrNL22vM7HB1NZnvfKDs4q7BE/s200/Cantinho+do+Prof+Pedro+Mello.jpg
Em 2008, recebi das mãos de José Ouverney um livro que julgo significativo para a trovismo: “Trovas Brincantes II”, um livro a “oito mãos”, de A. A. de Assis, Edmar Japiassu Maia, José Fabiano e José Ouverney. Um quarteto fantástico... Entre as diversas trovas de humor que enfeixam o livro, três são merecedoras de um olhar mais atento por causa da criatividade:



Moderno, poupa viagem

o novo pombo-correio:
- Hoje ele manda a mensagem
numa boa, por email...
AA de Assis

Certo cupim se deu mal,pois um dia aconteceu:Era tão cara-de-pau,que outro cupim o comeu!José Ouverney

Sou moderno e bem arisco.Será que você não vê?Eu não tenho hérnia-de-disco,sofro é de hérnia-de-CD...José Fabiano

As três trovas em questão, assim como a trova do Bessant, à qual aludi no texto anterior, são de especial interesse por causa das rimas.

A. A. de Assis e o estrangeirismo bem-sucedido

A trova do Assis reflete algumas experiências que o autor tem feito no campo da linguagem, notadamente com o emprego bem-sucedido de anglicismos de uso corrente. Meses atrás escrevi sobre o uso da palavra “download”, e agora vemos a palavra “email”, que ele rimou com correio. Um efeito muito inteligente, até porque as palavras são de mesmo campo semântico, mas de línguas diferentes. O autor usa “email” do jeito como a palavra é empregada no Brasil: ipsis litteris, sem aportuguesamento e do modo como provavelmente se cristalizará no idioma.

A língua, no dizer de Ferdinand de Saussure, qualquer que seja, é arbitrária; não existe uma relação intrínseca entre a palavra e aquilo que ela designa. Nos estrangeirismos em Português essa arbitrariedade do signo linguístico fica bem evidente: há palavras que são aportuguesadas com bastante sucesso, como é o caso de “futebol” (foot ball), “abajur” (abat jour), “carnê” (carnet), buquê (bouquet), entre muitas outras. Outras, porém, permanecem com a grafia original: aids, air bag, bacon, blitz (germanismo) check in, marketing, pizza (italianismo), internet, email... Não existe uma “regra” para se aportuguesar ou não determinado estrangeirismo. Por isso que lembramos da afirmação de Saussure de que o signo é arbitrário.

Há quem vocifere contra o uso de estrangeirismos, mas esse é um fenômeno inevitável em qualquer língua: trata-se de um intercâmbio cultural inexorável. Isto que não quer dizer que não haja falta de bom-senso em letreiros de loja onde aparecem expressões do tipo “20 % off” por exemplo. Por que não “20 % de desconto”? Há estrangeirismos desnecessários e que constituem claramente vícios de linguagem, como o exemplo do “off” em anúncios de promoções em lojas. Entretanto, grande parte dos estrangeirismos se incorporam à lingua e tornam-se parte de um grande inventário aberto. Como vernaculizar “marketing” ou “pizza”? No caso de email, há o correspondente endereço eletrônico. As duas expressões existem paralelamente, mas em termos de comunicação é muito mais prático usar uma palavra simples de duas sílabas do que uma expressão composta de duas palavras. Não podemos nos esquecer de que a língua é dinâmica. O Assis, como um bom poeta, percebe essa plasticidade das palavras e brinca com elas a seu bel-prazer. Legítima a rima de “email” como “correio”. Ainda não é “concursável”, mas poderá ser em breve...

José Ouverney e a pronúncia brasileira do -l

O “l” é uma consoante alveolar, juntamente com o “n” e o “r”. Tais consoantes são assim chamadas porque são produzidas dentro da boca com a articulação da ponta frontal da língua com os alvéolos dentais (próximo à raiz dos dentes) na abóbada palatina.

No entanto, em final de palavras, o -l é vocalizado como -u. Isto quer dizer que -al soa como -au, -el, soa como -éu e -il soa como -iu. A trova do Ouverney, assim como a do Bessant, a que aludi no artigo anterior, soa de modo “brasileiro”!

José Fabiano e as consoantes sem vogal

A trova de José Fabiano também é muito interessante por causa do uso da palavra CD. Além de anglicismo, a palavra CD ainda foge da tradição por ser abreviatura e constituir-se, neste caso, de duas consoantes não acompanhadas de vogal.

Reza a tradição que “não existe sílaba sem vogal”. Realmente, não há sílaba sem vogal. Tecnicamente, então, CD não teria duas sílabas? Questão controversa, mas foneticamente perfeita: as vogais não estão escritas, mas são pronunciadas... cê-dê... não é assim? Já houve trova (não humorística) premiada que continha a palavra CD.

Fenômeno parecido com o da trova em questão é o suarabácti, um metaplasmo por permuta, no qual consoante muda em meio de palavra é pronunciada como se tivesse vogal. Alguns instintivamente contam tal consoante “muda” como uma sílaba. Não seria o caso de discutir o caso do suarabácti, condenado pelo nosso “decálogo de metrificação”? Embora a trova de José Fabiano não seja um exemplo de suarabácti, já vi trovas em que consoantes mudas são contadas como sílabas. Até porque foneticamente nenhuma consoante é muda. Querendo ou não, sempre pronunciamos uma vogal como apoio à consoante.

CONCLUSÃO

As línguas evoluem, assim como as sociedades que as usam. O Português evolui a passos céleres, e a trova, vez ou outra, documenta essa evolução. Os exemplos são de trovas humorísticas, gênero no qual as inovações ou licenças poéticas ocorrem com mais frequência. Isto não quer dizer que apenas o gênero humorístico “permita” inovações. A língua é uma só, independente do gênero da trova.

Fonte:

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

INSCRIÇÕES GRÁTIS CONCURSO 1ª ANTOLOGIA 100 TROVAS SOBRE FUTEBOL * ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

INSCRIÇÕES GRÁTIS ATÉ 15 DE FEVEREIRO


ANTOLOGIA BRASIL LITERÁRIO
promove  o concurso

1ª ANTOLOGIA CEM TROVAS SOBRE FUTEBOL

Art 1º - DO CONCURSO: 

O concurso 1ª Antologia 100 Trovas Sobre Futebol, é concebido, promovido e organizado pelo escritor Antonio Cabral Filho e tem o futebol apenas como tema central, podendo versar sobre quaisquer assuntos correlatos. Será exigido cumprimento de métrica setessilábica e rima abab, abba e aabb.

Art 2º - DAS INSCRIÇÕES: 

INSCRIÇÕES GRÁTIS ATÉ 15 DE FEVEREIRO, poderão se inscrever apenas autores brasileiros residentes no Brasil maiores de 18 anos, entre 15 de outubro de 2014 e 15 de FEVEREIRO de 2015, VIA EMAIL, com apenas uma (1) trova em língua portuguesa. No ato da inscrição, o mesmo remete o texto digitado em times new roman 14, resumo biográfico de cinco linhas, a Antonio Cabral Filho, pelo email antologiabrasiliterario@gmail.com,  dirigido a 1ª Antologia 100 Trovas Sobre Futebol, Org Antonio Cabral Filho.

Art 3º - DA COMISSÃO JULGADORA:

A Comissão Julgadora é soberana em suas decisões, e conferirá notas de 0,1 a 10 e seu resultado é irreversível. Os autores classificados até a quantia de cem (100) farão parte da 1ª Antologia 100 Trovas Sobre Futebol, cabendo aos mesmos a responsabilidade quanto a autoria e registro do texto inscrito.

Art 4º - DA 1ª ANTOLOGIA 100 TROVAS SOBRE FUTEBOL

A 1ª Antologia 100 Trovas Sobre Futebol terá 100 páginas destinas aos autores classificados, portanto uma (1) página por autor, em formato e-book - livro digital - que será entregue via e-mail, antecedidas de dez ( 10 ) páginas a cargo da Comissão Julgadora, o que resulta em um  livro de 110 páginas. O livro 1ª Antologia 100 Trovas Sobre Futebol será publicado no blog ANTOLOGIA BRASIL LITERÁRIO
http://antologiabrasilliterario.blogspot.com.br/ 
ficando a cargo dos respectivos interessados a divulgação em outros espaços e disponibilizado gratuitamente via internet.

Art 5º -  DAS RESPONSABILIDADES:
O promotor do concurso informa que o ato de inscrição significa aceitação das normas acima expostas e a consequente liberação da sua obra para integrar este certame. A divulgação dos resultados será publicada no blog ANTOLOGIA BRASIL LITERARIO,  de propriedade do promotor do evento, até 15 de fevereiro de 2015, seguida da publicação e remessa do livro a todos seus autores, conforme Art 2º.
Parágrafo Único: Todos os inscritos serão publicados um em cada postagem no blog do concurso.

COMISSÃO ORGANIZADORA
Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2014
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